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Análise Ergonômica do Trabalho ou Laudo Ergonômico?

seg, dez 24, 2012

Análise Ergonômica

Hoje falaremos sobre meios de análise em ergonomia, mais especificamente a discussão sobre denominações para os meios de análise: Análise Ergonômica do Trabalho ou Laudo Ergonômico?

Ambas denominações são comuns no meio empresarial e causam inclusive confusões entre alguns profissionais que atuam na área. Começaremos por algumas constatações de nossa vivência prática.

A palavra “Laudo” denota resposta a um conjunto de questionamentos ou itens de conformidade ao qual se deve apresentar uma investigação e resposta (seja de solução ou de opinião). Nesse sentido teríamos no Laudo Ergonômico um documento que responde todas as questões ergonômicas relativas à uma situação de trabalho. Em partes, pois na prática não é o que se abserva habitualmente.

Um “Laudo” geralmente é solicitado mediante uma solicitação do auditor fiscal do trabalho, quando encontrada alguma irregularidade, alguma situação de não conformidade. Aproxima-se mais do sentido de perícia.

Obviamente que sempre que um laudo é solicitado espera-se respostas a todos os itens observados, mas não necessariamente todos os itens que circundam uma situação de trabalho, atributos da Análise Ergonômica do Trabalho (AET).

O termo Análise Ergonômica do Trabalho ou Estudo Ergonômico demanda maior aprofundamento nas questões gerais dos postos ou situações de trabalho. Em tese, é o estudo das condições de trabalho que se precisa efetivar para atendimento à NR 17.

Esse tipo de análise tem suas raízes nas escolas francesas e belga e compreende basicamente as etapas de:

  • Análise da demanda –> entendimento daquilo que se pretende com o estudo, o alcance da ação.  Em geral nesta etapa, analisa-se os dados de afastamentos, doenças ocupacionais, queixas, jornada, análise do perfil da população trabalhadora entre outros;
  • Análise da tarefa –> a análise da tarefa, também conhecida por trabalho prescrito, é o estudo daquilo que a empresa projeta como ideal na situação de trabalho, incluindo suas normas e regras. Por meio desta análise avalia-se por exemplo as normas de produção, tempos de ciclo, indicadores de ruído, iluminação, temperatura, entre outros fatores. Em resumo, se avalia as condições oferecidas pela empresa aos trabalhadores;
  • Análise da atividade –> ponto central da análise ergonômica, busca compreender o trabalho como acontece de forma prática e recebe a denominação de trabalho real. Quanto maior o distanciamento entre tarefa e atividade, em geral maiores os custos e sofrimentos no trabalho. Nesta etapa, deve-se além de entender os riscos ergonômicos, qualificá-los e quantificá-los, conferindo um correto diagnóstico ergonômico;
  • Caderno de recomendações (encargos) –> como fase final do estudo projeta-se o caderno de recomendações, que compreende o plano de ação para correções das situações anormais verificadas. É de suma importância atribuir um plano real, dentro das condições prioritárias de mudança e que traga benefícios efetivos e progressivos.

Existem muitas formas e modelos de laudo ergonômico ou análise ergonômica do trabalho. Entretanto, a melhor maneira de promover transformações no ambiente de trabalho é compreendê-lo em sua excência e trazer para junto do estudo os trabalhadores, que são aqueles que conhecem profundamente as situações de trabalho e podem contribuir de maneira grandiosa para a construção de estudos de qualidade.

Abraços à todos.


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10 Comentarios para este artigo

  1. Hildaécio Disse:

    Em resumo o Laudo Ergonomico substitui o a Analise Ergonomica do Trabalho. Sim ou Não?

  2. Top Ergonomia Disse:

    Olá Hildaécio, tudo bem

    Não.
    Na teoria NÃO existe laudo ergonômico, a legislação não menciona laudo ergonômico, somente Análise Ergonômica do Trabalho (AET).

    Na prática também não, mas podemos interpretar da seguinte maneira:

    –> Um laudo serve para apagar um incêndio, é emergencial e pontual;

    –> A AET é mais ampla, permite conhecer melhor e mais a fundo os problemas, diagnosticar e propor soluções de maior alcance, mais concretas.

    Resumindo, Laudo e AET são a mesma coisa, com diferenciação prática apenas pela profundidade da ação. OK.

    Abraços e bons trabalhos.

  3. PAULO EDUARDO Disse:

    No caso do laudo ou AET, quais são os profissionais que podem emití-lo?

  4. Thiago Pegatin Disse:

    Olá Paulo, tudo bem

    O termo correto (na legislação) é a AET, o comercial utilizado Laudo. A NR 17 não determina quais os profissionais capacitados para assinar tal documento. Em geral são aceitos trabalhos com qualidade, metodologia adequada e identificação e priorização de riscos e com planos de ação para adequações.

    Na prática tenho observado que Médicos do Trabalho, Engenheiros de Segurança, Fisioterapeutas, Educadores Físicos, Terapeutas Ocupacionais, Designers, Psicológos e Administradores tem realizados trabalhos com ergonomia.

  5. Ana Paula Disse:

    O profissional habilitado para atuar como ergonomista é aquele que se submete a uma pós-graduação em ergonomia. Mediante a conclusão do curso recebe a titulação de Especialista em Ergonomia.

  6. Thiago Pegatin Disse:

    Olá Ana Paula

    Isso seria uma condição ideal, para não dizer correta. Mas não somente os profissionais especializados em ergonomia podem atuar com ergonomia. Isso lhe capacita (na maioria dos casos) para realizar trabalhos de qualidade, com diferencial, mas não lhe garante direito algum sobre outros profissionais. É claro que se pretende uma certificação da ABERGO é necessária a especialização (segundo os critérios adequados) e submeter-se a avaliação.

    Existem ainda muitas áreas correlatas que lhe capacitam muito bem a prática do trabalho com ergonomia, Medicina do Trabalho, Engenhria de Segurança, Fisioterapia do Trabalho, Psicologia Organizacional, Enfermagem do Trabalho, são algumas delas. Conheço também alguns cursos ligados a Gestão Industrial que focam muito o binômio ergonomia-produtividade.

    Abraços.

  7. Anderson Disse:

    Bom dia!

    Caríssimos,
    Tenho uma dúvida quanto a conclusão de uma análise ergonõmica do trabalho. É correto concluir uma AET caracterizando ou não um risco de desenvolvimento de LER/DORT?

  8. Thiago Pegatin Disse:

    Olá Anderson

    A maioria das demandas em ergonomia envolvem problemas ligados ao risco de LER/DORT, e consequentemente absenteísmo, ações judiciais, entre outros. Se uma AET foi solicitada por LER/DORT, espera-se que a conclusão aponte para o risco ou não no desenvolvimento.
    No entanto, você tem que tomar cuidado para não elaborar diagnóstico nosológico (diagnóstico médico), a não ser que você seja médico. Se não for e estabelecer o diagnóstico você pode ter seu estudo invalidado.

    Só lembrando que as LER/DORT envolvem um conjunto bem grande de disfunções osteomusculares, sendo que podemos ter várias tenossinovites, bursites e outras, classificadas dentro destas afecções.

    Quando elaboro meus estudos, gosto de anexar estudos científicos que ligam determinada atividade ao aparecimento do distúrbio e na conclusão da situação, caso seja o caso, aponto o risco de disfunções em punho ou risco de disfunções em coluna lombar, etc.

    Caso necessite de mais informações estamos à disposição.

  9. Vinicius Olimpio Disse:

    pra mim a ergonomia e a ferramenta mais importante em uma empresa!
    Temos que cada vez mais , nos especializar nesse ramo, trata-se da saúde direta do funcionário e buscando eficiência e conforto , segundo a NR.!

    Vinicius Olimpio-Aux.Qsms-Rs /Aux.trabalhos com ergonomia.

  10. daniela Disse:

    Boa noite, Thiago, sou fisoterapeuta, especializada em ergonomia pela coppe/ufrj. Estou entrando no mercado de trabalho agora, mas mesmo assim quero te parabenizar pelo site. Muito bom, bem esclarecedor, Parabéns.