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Comitês de Ergonomia

qua, abr 25, 2012

Conceitos

Os comitês de ergonomia são mecanismos atuais para adaptarmos os programas de ergonomia aos sistema de gestão empresarial. Apesar de ainda discretos na grande maioria das empresas, a implantação dos mesmos vem crescendo e o texto escolhido para tratarmos do assunto foi retirado do site da Ergo Ltda, sob responsabilidade do Dr. Hudson de Araújo Couto.

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O que são os Comitês de Ergonomia?
São grupos estruturados dentro das empresas para atacar os problemas ergonômicos existentes de forma gradativa e sistemática, evitando os esforços isolados. Esses grupos trabalham sob uma coordenação nomeada pela gerência e com o trabalho de secretaria executiva sendo feito pelos profissionais do SESMT. Os problemas críticos são analisados por forças-tarefas, contando com um profissional de Ergonomia, um trabalhador experiente, um técnico da área e da máquina e um supervisor. Esse grupo, após analisar a atividade, estuda em profundidade suas soluções e elabora um Plano de Ação, que é então aprovado pela alta gerência.

Eficácia
A estruturação da Ergonomia sob a forma de um Sistema de Gestão realmente funciona, pois os problemas ergonômicos são abordados na ordem de prioridade: primeiro trabalha-se sobre aqueles causadores de afastamentos e gradativamente vai-se resolvendo os problemas causadores de dor sem afastamento, até se chegar aos problemas causadores de dificuldade e desconforto. Em poucos meses, consegue-se “fechar a torneira” de casos novos.

O segredo da eficácia
São eles: apoio do alto nível de gerência, participação dos trabalhadores, eficácia do serviço médico, treinamento de Ergonomia para todo o pessoal da empresa, estruturação correta dos comitês e revisão constante do processo.

A solução dos problemas
Os problemas ergonômicos geralmente podem ser classificados em cinco categorias:

– Categoria 1– aqueles de solução simples, classificados como pequenas melhorias; por exemplo, elevação da altura da máquina em n centímetros visando corrigir os problemas posturais dos trabalhadores;

– Categoria 2 – aqueles de solução conhecida (embora nem sempre de baixo custo) – por exemplo, adquirir uma paleteira elétrica para movimentar pallets mais pesados que 700 kg; ou uma talha elétrica para movimentar peças de 25 kg.

– Categoria 3 – aqueles que demandam um estudo mais profundo visando esclarecer a melhor solução ou que demandam um detalhamento mais profundo do projeto de melhoria. Enfim, que exigem amadurecimento.

– Categoria 4 – aqueles decorrentes de problemas na organização do trabalho. Por exemplo, falta de mão-de-obra com horas extras e sobrecarga para os existentes; mão-de-obra mal treinada e entrando no processo produtivo sem o devido período de adequação; falta de manutenção em equipamento originando movimentos forçados; material em más condições, vindo do fornecedor sem a devida lubrificação e portanto ocasionando esforço excessivo; falta de material, ocasionando horas extras e jornadas prolongadas quando os mesmos chegam; problemas tecnológicos em determinado processo ocasionando uma série de defeitos ou rebarbas e a conseqüente movimentação excessiva de membros superiores para o retrabalho.

– Categoria 5 – aqueles que não têm solução de engenharia e que demandam apenas uma solução administrativa (como rodízio nas tarefas, pausas, seleção de pessoal, treinamento sobre posturas corretas e ginástica laboral).

O problema categoria 1 (pequenas melhorias) deve ser tratado pelo Comitê de forma simples e rápida, através da conjugação de 4 verbos: ver, agir, validar e documentar.

O problema tipo 2 (soluções conhecidas) deve ser tratado da seguinte forma: nomeia-se uma força de trabalho para estudar a adequação daquela solução à realidade do problema detectado, bem como para fazer o planejamento físico/ financeiro da solução.

Nos problemas de categorias 3, 4 e 5, está indicado que seja aberto um processo de solução ergonômica.

O processo de solução ergonômica funciona assim:

1. É montada uma força-tarefa, da qual deverão participar: um trabalhador que execute a tarefa, um técnico ou engenheiro que conheça bem o processo ou a máquina, um supervisor ou facilitador da área e o consultor de Ergonomia. Em certos casos, pode ser necessário alguém da manutenção. Não deve existir mais que 5 pessoas na força-tarefa.

2. É feita a análise ergonômica.

3. A força-tarefa estuda o assunto profundamente, inclusive as alternativas de solução. Cada estudo, cada ação, é registrada, montando-se assim um processo.

4. Uma vez definida a melhor solução, a força-tarefa passa a analisar detalhes da solução. É muito importante que todas as ações sejam documentadas; os pareceres técnicos devem estar documentados.

5. Forma-se, portanto, um processo de solução ergonômica, adicionando-se “peças” ao mesmo, de forma que se oriente para a melhor definição ergonômica para o problema estudado. E de forma a que a solução esteja o mais detalhada possível, facilitando assim o orçamento da mesma e o detalhamento do projeto final.

O resultado final de um processo de solução ergonômica bem feito é a sugestão da melhor solução possível para aquele problema, bem detalhada. De posse dela, a chefia poderá então fazer o seu Plano de Ação (5W-1H-1HM).

É muito importante que a força-tarefa encarregada de encaminhar a solução de um problema ergonômico se debruce sobre ele e o estude profundamente. Não há vantagens em se dar soluções apressadas e mal pensadas para um problema ergonômico. Caso isso ocorra, o Comitê perderá força, pois haverá retrabalho. E caso tenha havido gasto, a gerência passará a desconfiar das ações do Comitê de Ergonomia.

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Ficamos por aqui.


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4 Comentarios para este artigo

  1. Flávia Atarasi Disse:

    Bom dia!
    Prezados,
    Sou estudandante do curso de Secretariado Execultivo Trilingue e estou trabalhando em minha monografia que tem como tema ” A importancia da ginastica laboral na rotina empresarial.”
    Peço a gentileza se possivel, me mandar arquivos sobre ginastica laboral e ergonomia para ultilizar em minha pesquisa.

    Desde já, agradeço a atenção.

    Flávia Atarasi

  2. Thiago Pegatin Disse:

    Olá Flávia

    Não enviamos arquivos pelo site. Na Categoria “Links” do site você encontra alguns sites em que você pode conseguir uma boa quantidade de material.

    No post “A Ginástica Laboral é realmente eficaz dentro das empresas” você também pode encontrar mais alguns artigos pra você pesquisar.

    No Google digite também “acadêmico” e você irá abrir o Google Schoolar, excelente sistema de busca para artigos cientificos.

    Comece por ai e se tiver algo mais específico (por exemplo, seu Tema da monografia) nos comunique que podemos auxiliar mais.

    Abraços e bons estudos.

  3. Prof. Altair Andretta Disse:

    Gostaria de saber como proceder na questão de documentos quando se implanta um programa de GL. Como por exemplo:
    a) Deve se fazer um único documento?
    b) Em cada setor da empresa é necessário que os supervisores assinem tais documentos?
    C) Quando existe reclamatórias trabalhistas, como proceder com documentos para auxiliar o juridíco de que o colaborador em questão participava da GL, e se não participava por indicplina o que fazer…?
    Etc..
    Atenciosamente,

  4. Thiago Pegatin Disse:

    Olá Prof. Altair

    Não entendi muito bem o que seria “um único documento”, mas segue algumas considerações:

    –> A Ginástica Laboral não é obrigatória por lei nas empresa, portanto caso a empresa queira “forçar” as pessoas à fazê-la deve ter alguns cuidados:

    1.) Ela deve fazer parte da política da empresa – se uma empresa associa a prática de exercícios à sua política de gestão aqueles que não cumprem estão fora do perfil;

    2.) A empresa pode sim solicitar que todos que realizam assinem algum documento comprovando participação, porém isso não isenta a empresa de responsabilidades caso o funcionário venha a desenvolver alguma doença. Senão pelo mesmo princípio aqueles que a realizam nunca teriam, o que não é uma verdade. Porém, quando a empresa apresenta um PROGRAMA ESTRUTURADO de acordo com demanda de tempo e necessidades biomecânicas de cada atividade (O QUE SINCERAMENTE NÃO ACONTECE) pode argumentar a respeito;

    3.) Geralmente a justiça passa a ver “com bons olhos” empresas que atuam na prevenção de doenças. Novamente frizo, pra isso o programa deve atender à um estudo ergonômico sério e detalhado, senão se vira contra a própria empresa;

    4.) Em relação ao jurídico, se você não tem esse controle baseado em um sistema de gestão e sobre um estudo ergonômico apontando as reais necessidades e tempo de aplicação, fica difícil. O mais certo é que esse documento seja um complemento na tentativa de desqualificar os argumentos do Reclamante, no caso aqui o funcionário que entra com ação contra a empresa. Dificilmente o argumento da GL vai pesar como forma de prevenção caso seja realizado na empresa os tadicionais 10 ou 15 minutos diários. Nem tente argumentar com isso, e sim com a intenção da empresa em prevenção e má fé do funcionário em não colaborar.

    Espero ter colaborado e reenvie dúvidas caso ainda existam ou caso eu não tenha entendido corretamente aquilo que você quiz me passar.

    Abraços e sucesso