Olá caros leitores
Muitas pessoas nos escrevem relatando dificuldades em montar propostas e projetos na área de ergonomia e ginástica laboral, solicitando modelos de projetos, enfim, precisando de ajuda. Por este motivo resolvemos postar este artigo, não com intuito de “entregar o peixe, mas ensinar os princípios básicos de uma boa pesca”.
Como já postamos aqui no site, existe uma grande diferença entre proposta e projeto. Para esclarecer alguns pontos sobre o tema, sugerimos que os leitores acessem o link do artigo que trata das propostas e acesso às empresas: http://www.topergonomia.com.br/2008/07/09/como-implantar-a-ginastica-laboral-nas-empresas/
Dando seqüência ao assunto de hoje, o ponto mais importante de qualquer projeto bem sucedido chama-se PLANEJAMENTO. Sem planejamento não sabemos como começar ou como avaliar ações dentro da empresa.
A questão é: Como posso planejar minhas ações de maneira eficaz? Como criar mecanismos de análise?
O processo de criação, implementação e avaliação de projetos em qualquer área e mais especificamente em ergonomia e qualidade de vida deve seguir etapas bem definidas, como mapeamento de necessidades, definição de metas, metodologias para atingir essas metas e formas de avaliação das ações. Listaremos esses pontos na seqüência:
- Mapeamento de necessidades
Se você já conheceu a realidade da empresa no processo de apresentação da proposta deve repassar rapidamente esta etapa.
Mapear necessidades significa identificar detalhadamente qual a demanda da empresa, o por quê da empresa contratar seus serviços. Gosto de utilizar uma expressão em minhas aulas sobre Consultoria e Estratégias de Negócios de que “os clientes não se importam se seu produto ou serviço é excelente; seu produto ou serviço tem que ser excelente para eles!” Portanto mapeie a necessidade da empresa e não aquilo que você imagina ser bom para a empresa.
Alguns pontos que você pode abordar nesta etapa:
- Índice de absenteísmo, em especial por LER/DORT;
- Grau de desconforto entre os trabalhadores;
- Número de acidentes por setor, área, etc;
- Previsão de investimentos;
- Adequação à legislação
- Outros tantos quantos necessários
- Objetivos (definição de metas)
Partindo do pressuposto que você já conhece a real necessidade da empresa, este é o momento de estabelecer o que você pode oferecer à empresa em relação as necessidades da mesma.
Traçar uma meta é dizer para a empresa até onde você pode e pretende chegar com seu projeto, e automaticamente criar uma espectativa da empresa para com seu trabalho. Portanto cautela é essencial, não prometa aquilo que não pode cumprir.
Uma questão muita perigosa em que muitos profissionais pecam neste momento é atrelar os projetos dessa amplitude com o aumento de produtividade.
Aumento de produtividade é uma questão que fica implícita nos trabalhos em qualidade de vida, mas não prioritária. Aumentar a produtividade depende de uma série de fatores que foge ao escopo de seu trabalho. Por exemplo: com seu trabalho você conseguiu reduzir o absenteísmo em 1,5% ao mês (é bastante, acredite) e conseqüentemente atrela este índice ao aumento de produtividade. Porém na contabilização anual da empresa, houve um decréscimo de 1% nos índices de produtividade. Como explicar?
Em uma análise mais aprofundada, os gestores iram verificar que o período de baixa na empresa aumentou de 2 meses ao ano para 3, 2 dos maiores clientes deixaram de comprar da empresa, etc. Portanto a produtividade é influenciada por todos os fatores dentro da empresa. Você contribuiu para uma redução menor na produtividade, mas não foi capaz de impedir a redução e tampouco aumentá-la.
Portanto seu foco deve ser o mapeamento de necessidades; os objetivos dvem estar diretamente atrelados ao mapeamento inicial. Criar metas para você, deve significar criar índices de controle, e alguns bons índices são:
- Índice de absenteísmo
- Satisfação dos funcionários para com a empresa
- Avaliação de satisfação quanto aos profissionais que conduzem o programa e quanto à forma de realização
- Índice de desconforto
- Número de sugestões em ergonomia dos trabalhadores implementadas
- Número de postos de trabalho avaliados semestralmente, bimestralmente, etc
- Outros
Lembre-se que o importante é sempre focar no mapeamento inicial.
- Implementação das ações
Daqui para frente é só “tocar a bola”!
Se você não esquecer as etapas anteriores e abandonar o planejamento não terá muitos problemas, mas se seu planejamento não prever pequenas adequações você corre o risco de remar para um lado totalmente oposto ao seu planejamento inicial.
Alguns pontos podem auxiliar muito nesta etapa:
- Determinar quem faz o quê – distribuir responsabilidades e tarefas é sem dúvida crucial. Com pessoas desorganizadas e irresponsáveis você não vai pra frente. Deve ter em mente que atribuir responsabilidades é dar nome aos bois: Fulano faz isso, Beltrano faz aquilo;
- Determinar quando fazer – as pessoas devem ter prazos para conclusão de suas tarefas. De nada adianta determinar o que o Beltrano tem que fazer e não estipular o período de conclusão;
- Ser flexível – Não caia no erro de ser inflexível quanto às ações do projeto. O projeto NÃO É SEU, ele pertence a empresa. Saiba ouvir e cresça junto com o projeto.
- Avalie suas ações
Meu projeto é lindo, maravilhoso, perfeito!
Não é sensação que sempre temos quando avaliamos algo que fizemos. É extremamente difícil recebermos críticas, quanto mais criticarmos algo que nós mesmos fizemos.
Sugiro que para uma avaliação realmente crítica de efetividade do projeto que você permita que outras pessoas possam avaliá-lo. Sempre que você permitir que outras pessoas possam contribuir com sugestões seu trabalho irá crescer.
Aponte realmente o que funcionou, quais metas foram atingidas, quais foram superadas e quais não foram concluídas. E mais importante ainda, mostre como as ações permitiram, ou não, atingir essas metas. Seja crítico!
Ufa! Se você chegou até o final do artigo parabéns, rs.
Saiba que o artigo trata de maneira simplista um projeto desta amplitude, existem muitas variáveis incluídas nesse trajeto, mas acho que alguns que estão perdidos podem ao menos ter um “norte”.
Abraços à todos e bons trabalhos.
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outubro 8th, 2008 at 14:39
Olá
Muito interessante este artigo. Acredito que ajudará muitas pessoas, principalmente aos que estão começando, norteando aos mesmos, a buscarem se aprofundar ainda mais nas questões laborais.
Acredito que a grande dificuldade de iniciantes é transformar informação em dados quantitativos, devido a falta de experiência no ambiente fabril, nada que não possa ser revertido, pois tais profissionais tem total capacidade de formular e executar tal trabalho.
Att
Mauricio Garcia.
janeiro 7th, 2009 at 12:42
Olá pessoal!
Engrandecemos quando compartilhamos o conhecimento.Bacana mesmo é saber que podemos contar com pessoas que não nos conhecem e mesmo assim nos ajudam a crescer. Obrigado ! Inês
fevereiro 27th, 2009 at 22:52
oi pessoal,
QUANDO ENCONTREI ESSE MATERIAL ERGONÔMICO,FIQUEI MUITO CONTENTE,JÁ É DE MUITO VALIA.PARABÉNS!! OBRIGADA!
fevereiro 28th, 2009 at 14:55
Obrigado Katia. Seja sempre bem vinda.
Abraços.
março 17th, 2009 at 2:37
Olá…
Muito boas mesmo as informações deste site, dei uma lida rápida em algumas coisas mais irei me aprofudar mais. Sou fisioterapeuta em Minas Gerais.
Eu estou meio perdida nesta área, mas com algumas idéias.
Gostaria de realizar um projeto de ginastica laboral em um banco local em que trabalha um primo meu.
São 30 funcionários.
Estou na dúvida do primeiro passo. ..
São tantas informações.
Gostaria de realizar um projeto de ginastica laboral 2 x na semana 15 minutos por dia…
Uma dúvida nesses 15 minutos seriam somente os alongamentos mesmo, ou uns 5 minutos de aquecimento, 5 de alongamento e 5 de relaxamento???
março 18th, 2009 at 16:39
Olá Thaís, tudo bem
Os 15 minutos de exercícios devem alcançar dois objetivos:
A adequação desses 15 minutos irá depender de fatores como:
Aconselho que você foque, é claro, os exercícios (principalmente alongamentos) para atender as exigências biomecânicas da atividade, priorizando regiões corporais de maior risco. Porém é muito importante instituir aos poucos dinâmicas de grupo e atividades lúdicas, caso contrário sua sessão de exercícios se tornará muita chata e você perderá em participação.
Se possível aplique questionários de avaliação de dor e de satisfação periodicamente para visualizar o desenvolvimento de seu programa, ok.
Qualquer dúvida estamos à disposição.
Boa sorte.
março 23rd, 2009 at 16:31
Primeiro eu gostaria de parabenizá-lo pelo site. Estou elaborando um projeto de monografia sobre a Ergonomia, tendo em vista a importância da mesma para qualidade de vida do colaborador e, consequentemente, para empresa. Gostaria de falar sobre a importância e também realizar uma análise ergonômica de uma determinada empresa, no que diz respeito as condições ambientais, posturais, físicas ou LER. Portanto, solicito sua ajuda para a definição de um tema adequado as minhas intenções, assim como sujestões para a confecção do trabalho em questão.
Grato desde já,
Marcelo.
março 24th, 2009 at 19:12
Olá Marcelo
Uma monografia deve ser bem pontual.
Considero que você deve escolher um dos assuntos citados, e como sugestão indico os temas relacionados à postura e biomecânica de movimentos se você for profissional da saúde. Se estuda em áreas como Engenharia de Produção ou Administração sugiro a escolha de temas relacionados ao custo benefício dos programas de qualidade de vida.
Após escolher o assunto a ser tratado, é importantíssimo definir o local de pesquisa (trabalho de campo).
O próximo passo é sem dúvida o mais importante – definir a metodologia adequada à pesquisa:
–> Comece com um bom problema de pesquisa: ache um problema que suscite pesquisa. Após algumas visitas a uma empresa por exemplo, você pode identificar alguns itens como queixas osteomusculares, faltas ao trabalho, etc. Todos podem ser fatores de pesquisa.
–> Escolha ferramentas adequadas de análise: como análises biomecânicas, ferramentas de análise de posturas, transporte de cargas, etc… de acordo com sua metodologia.
–> Entrevistas e questionários são importantes: conversar com pessoas é essencial no entendimento de uma situação de trabalho. Os trabalhadores sabem onde “a coisa pega”.
Qualquer dúvida no desenvolvimento é só nos contactar.
Abraços e boa sorte.
março 25th, 2009 at 14:53
Sou formado em Administração com Ênfase em Produção, graduei-me em 2008, e apresentei como Trabalho de Curso, um estudo sobre os beneficios ergonomicos se bem aplicados em uma empresa de Injeção “Transformação de Termoplásticos” e, lembro-me como se fosse hoje que ao iniciar os estudos senti-me perdido, não tinha materiais literários suficientes que possibilitassem a mim fazer uma boa fundamentação teórica, então recorri a amigos e algumas instituições, inclusive a ABERGO, que me deram algumas dicas de como proceder, mais foi baseados nas informações contidas acima que delineei todo meu trabalho e ao final fui aprovado com louvor, Muito obrigado pelas dicas.
março 27th, 2009 at 0:53
Estou aqui de novo encomodando!
Então, gostei muito das suas dicas, só que ainda não consegui definir de que forma farei o projeto, principalmente qual será o tema!
Esqueci de mencionar anteriormente que curso Administração. Realmente tratar de algo relacionado ao custo-beneficio da ergonomia é muito interessante. Ao colocar em pauta o custo-beneficio logo veio a idéia de produtividade, mas analisando, a produtividade é uma consequência. É que ao envolver a questão de ganho ou perda de produtividade o estudo passa a ser mais complexo, envolve muitos fatores! E eu possuo um pequeno intervalo de tempo para fazer a monografia!
De que forma poderia tratar esta relação custo-beneficio da ergonomia? Qual tema você sugere?
Outra opção seria analisar as condições ergonômicas do trabalho de uma determinada empresa. Será que seria legal fazer uma analise das operadoras de caixa de um supermercado? Não é muito simples? Ou em outra empresa em outro setor? Caso ajude eu moro em uma cidade portuaria, com empresas muitas empresas de fertilizantes, grãos!
Muito obrigado!