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Ginástica Laboral ou Cinesioterapia Laboral?

qui, ago 7, 2008

Ginástica laboral

Sejam todos bem-vindos!

Seguindo sugestão de nosso colega usuário do site Maurício, hoje trataremos mais uma vez do tema Ginástica Laboral, ou seria Cinesioterapia Laboral? Porquê freqüentemente nos deparamos com essas denominações? É correto utilizar um termo ou outro?

Como o tema é controverso, tentaremos trazer alguns conceitos para entendimento, algumas posições “legais” dos conselhos de classe e uma visão empresarial sobre a Ginástica Laboral. O próprio termo GINÁSTICA é controverso, com algumas definições e correntes ideológicas, já o termo CINESIOTERAPIA denota Terapia pelo Movimento, uma forma de tratamento pelo uso do movimento. Também não entraremos na terminologia TRATAMENTO, pois estenderíamos demais este post que já será longo.

Existe uma disputa declarada há vários anos entre profissionais de Educação Física e Fisioterapeutas sobre quem pode atuar nesta área, quem pode fazer o quê. O teor destas disputas, segue a NOSSO VER basicamente pelo saturado mercado de trabalho nos dois campos de atuação, bem como tantas outras profissões em nosso país. Sempre que a demanda por um campo profissional aumenta, atrai naturalmente mais profissionais, foi o que aconteceu com as questões empresariais ligadas a saúde do trabalhador.

Se pegarmos 10 anos atrás, poucos eram os profissionais inseridos nas empresas, tanto Fisioterapeutas quanto Educadores Físicos; com o boom das LER/DORT ao final da década de 90 as empresas começam a procurar profissionais com soluções para essas questões. A “maior e talvez melhor” estratégia prevencionista e de marketing criada pelas empresas foi a Ginástica Laboral, atraindo é claro os profissionais para dentro das empresas.

Observa-se ainda que no início tínhamos um pequeno número de empresas que atendiam uma gama enorme de clientes, pois não existiam profissionais capacitados para o trabalho, e muitos ainda desconheciam a atividade. Tempos áureos, pois estas empresas chgavam a cobrar preços exorbitantes pelos “pacotes” de prevenção.

Voltando a realidade atual, brigas e mais brigas por espaço neste mercado de trabalho, que bem ou mal ainda oferece em geral melhores ganhos, com menor tempo de dedicação aos profissionais destas duas áreas.

Recentemente, os conselhos de fisioterapia e de educação física entraram no jogo e baixaram resoluções procurando dar suporte aos profissionais em seus campos de atuação.

Faremos um parênteses aqui para comentarmos brevemente sobre a legislação. Uma resolução SÓ tem efeito, em primeiro plano, para os profissionais sobre a tutela de seu conselho de classe, NÃO podendo se sobrepor a legislação federal. As resoluções servem para fornecer subsídios sobre o campo de atuação de seus profissionais, amparando, norteando e também para meios fiscalizatórios.

Um conselho NÃO pode e NÃO deveria agir sobre outro. O conselho deve sim agir como órgão identificador de irregularidades, órgão fiscalizatório. Como ambos conselhos baixaram resoluções que atribuem a seus profissionais os chamados “ATOS PRIVATIVOS”, estes conselhos começam a julgar “EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO” os atos desenvolvidos pelos profissionais não pertencentes ao seu conselho.

Várias ações tem sido observadas Brasil à fora, a maioria delas empetradas pelo conselho de Educação Física, julgando ser ato privativo do Educador Físico a prática da Ginástica Laboral. NÃO entraremos aqui no mérito destas ações, nem tampouco comentaremos sobre o que é certo e o que é errado. Este post tem características imparciais e achamos por bem não pronunciar quanto a isso.

Você pode encontrar material de referência nestes links, se souber de outros nos enviem que adicionaremos, desde que não seja material tendencioso:

–> Resolução CONFEF

–> Resolução COFITO 

–> Parecer Consultivo COFFITO sobre Ginástica Laboral

–> Reconhecimento especialidade Fisioteapeuta do Trabalho

Para concluirmos este tópico e não fugirmos as indagações iniciais, observamos na prática empresarial que o termo Ginástica Laboral “vende mais”. Toda empresa quer uma “Ginástica Laboral” em sua empresa, e na tentativa de diferenciação de serviços cunhou-se ultimamente o termo Cinesioterapia Laboral por parte dos Fisioterapeutas.

Segundo as correntes ideológicas e “MERCADOLÓGICAS”, a Cinesioterapia Laboral seria uma forma focada no tratamento e controle das LER/DORT, trazendo para o fisioterapeuta o “ato privativo”; porém, na visão dos educadores físicos “GINÁSTICA” é privativa do educador físico, este seria o profissional capacitada a ministrar as aulas.

VISÃO DO AUTOR

Na prática os dois termos são utilizados da mesma forma e nem um nem outro são eficazes na prevenção dos distúrbios por sobrecarga funcional nas atividades de trabalho. O que acontece nos dias atuais é que as empresas fingem que tem programas preventivos e fingem que pagam bem os profissionais | esses por sua vez, fingem que previnem as doenças e fingem que trabalham, pois “vendem” propostas milagrosas de 10 minutos diários.

É inegável a importância do desenvolvimento de exercícios no ambiente de trabalho, assim como em nossa vida, mas não da maneira como se colocam nos dias de hoje. Os resultados atribuídos à Ginástica Laboral são mais relacionados ao ganho psicológico e cognitivo do que físico.

Portanto da maneira como se apresentam hoje, Ginástica Laboral e Cinesioterapia Laboral são a MESMÍSSIMA COISA, o que diferencia esses trabalhos são os profissionais que desenvolvem esses programas. Conheço fisioterapeutas que aplicam muito bem esses programas, com técnicas de reeducação postural, reeducação respiratória, entre outras que trariam a tona o conceito de CINESIOTERAPIA LABORAL e a tornariam PRIVATIVA do fisioterapeuta. Porém, também conheço educadores físicos que aplicam em sua atividades, o trabalho motivacional, lúdico, atrativo concomitantemente ao mecanismo de prevenção, voltando para o conceito de GINÁSTICA LABORAL e a tornariam PRIVATIVA do educador físico.

Deixo o julgamento para os leitores e futuramente para a justiça, que cada vez mais será acionada, não tenham dúvida.

Abraço à todos e bons trabalhos.

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Artigo escrito por:

-- Thiago Pegatin -- Fisioterapeuta, Mestrando em Engenharia de Produção, Especialista em Gestão Industrial, Especialista em Fisioterapia do Trabalho, Diretor da Top Ergonomia, Professor de Ergonomia e Doenças Ocupacionais.

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2 Comentarios para este artigo

  1. JUÇARA DE JESUS Disse:

    REALMENTE É UMA LUTA CONSTANTE E QUE AINDA VAI TER PANO PRA MUITA MANGA, PRA VER QUEM DEVE FAZER USO DO NOME ATIVIDADE GINASTICA LABORAL, PORÉM O QUE PERCEBO ENQUANTO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FISICA É QUE A MAIORIA DAS PESSOAS QUE TRABALHAM COM ESSA ATIVIDADE NAS EMPRESAS , SÓ QUEREM SE BENEFICIAR POIS , QUEM TEM PROBLEMAS VAI CONTINUAR COM ELES E QUEM VIER A TER NAO VAI DEIXAR D TER POR CAUSA DE 10 OU ATE MENOS TEMPO NA G.LABORAL. DEVEMOS EVIDENCIAR VARIOS FATORES PARA A VERDADEIRA PREVENÇÃO DE DOENÇAS NA ATIVIDADE LABORAL DE FORMA MAIS CONCRETA.

  2. Top Ergonomia Disse:

    Olá Juçara, seja bem vinda!

    Com certeza a briga é gerada pelo cenário profissional atual, a briga pelo mercado.

    Esse pode e não pode é alavancado pela busca de espaço, na tentativa de “reserva de mercado”.

    Infelizmente com esse confronto todos perdem: profissionais porque tem que se “gladiar” entre si e empresas que por vezes ficam perdidas nesse tiroteio e deixam de depositar confiança nos programas e nos profissionais.

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