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LER | DORT >> Epidemiologia

ter, jul 15, 2008

LER/DORT

Nos encontramos novamente por aqui pessoal, agora com nosso portal reformulado para tratar BREVEMENTE da epidemiologia das LER/DORT. Brevemente porque existem profissionais capacitados para tal que tratam somente do assunto epidemiologia, e nossa intenção é somente fazer uma recapitulação de alguns estudos desenvolvidos.

Este artigo é continuação da série de artigos relacionados ao tema LER/DORT que temos trazido para este site e também faz parte de nossa dissertação de mestrado. Então vamos lá.

Nos últimos anos, a literatura internacional tem mostrado consistentemente a importância das LER/DORT enquanto problema de saúde pública. Algumas categorias profissionais são mais comumente associadas as DORT como os trabalhadores de linha de montagem, da indústria manufatureira, costureiros, bancários, operadores de caixas registradoras, telefonistas, processadores de dados, trabalhadores de escritório e embaladores (KILBOM, 1987; ITANI, 1987; BAMMER, 1989; BRITO et al. 1992).

Segundo Bonfatti & Vidal (1998), estudos mais recentes e aprofundados fazem uma clara relação do aumento dos DORT com um processo crescente de intensificação do trabalho que vem ocorrendo há aproximadamente duas décadas. Esta relação de causalidade destes distúrbios, no entanto, ainda encontra barreiras operacionais e socioculturais a serem transpostas.

No Brasil, em função da inexistência de um sistema de informação para morbidade ocupacional, não há dados sobre a ocorrência desses distúrbios, mesmo para os quadros que implicam incapacidade para o trabalho, o que dificulta uma avaliação mais acurada da magnitude do problema (FERNANDES, 2004).
Os dados da Previdência Social, além de se restringirem à população com vínculo formal de emprego, beneficiária do auxílio-acidentário, referem-se àqueles casos reconhecidos pelos peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e registrados como LER/DORT (FERNANDES, 2004).

Ainda que estes dados representem apenas uma parcela dos casos existentes, sabe-se que os DORT são as doenças ocupacionais mais registradas no Brasil nos últimos anos (MPAS, 2006).

Entretanto, em países desenvolvidos esta situação não é muito diferente. Nos Estados Unidos, mais de 1.000.000 de trabalhadores afastam-se do trabalho por ano em decorrência desses distúrbios. O custo com benefícios por absenteísmo chegaria à cerca de US$ 20 bilhões ao ano, mas, incorporados os custos indiretos como perda de produtividade e receita pelas empresas e pelo estado, este valor poderia atingir cerca de 54 bilhões anuais. Estas seriam estimativas conservadoras, considerando que se referem aos custos com casos de DORT registrados, relacionados com o trabalho (NRC & IM, 2001). Na Itália, 60% dos casos registrados de DORT são reconhecidos como doença ocupacional. Neste país, os casos de compensação securitária apresentaram um incremento de 873 para 2.000 entre os anos de 1996 e 1999. Na França representavam 40% (2.602 casos) das doenças ocupacionais em 1992 e passaram a 63% (5.856 casos) no ano de 1996 (BUCKLE & DEVEREUX, 2002). No Reino Unido, estima-se que 5,4 milhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido aos DORT (principalmente distúrbios de pescoço e membros superiores), equivalendo a aproximadamente um mês de trabalho por caso. Estima-se que os custos com esses distúrbios foram da ordem de 1,25 bilhões de libras por ano (BUCKLE & DEVEREUX, 2002).

Os dados brasileiros contabilizados acerca destes distúrbios também apresentam uma evolução de acometidos por LER/DORT nos últimos anos. Em um levantamento realizado por Pegatin (2007), contemplando a incidência registrada pelos dados oficiais do MPAS, observou-se que entre os cinco códigos CID (Código Internacional de Doenças) mais incidentes no Brasil, que representaram mais da metade do total de doenças do trabalho registradas em 2005 (57,5%), quatro foram classificadas como disfunções músculo-esqueléticas:

 Sinovites e tenossinovites (24,28%);
 Lesões em ombro (13,69%);
 Dorsalgias (7,49%);
 Mononeuropatias de membros superiores (6,10%).

Com relação à faixa etária de aparecimento destes distúrbios, observa-se que os DORT atingem os trabalhadores em sua idade mais produtiva, evidenciando a importância social destas afecções.
Conforme destaca O’Neill (2002), as LER/DORT atingem os trabalhadores no auge de sua produtividade e experiência profissional, na faixa dos 30 a 40 anos.

Os dados levantados por Pegatin (2007) e Oliveira (1998) corroboram a afirmação de O’Neill (2002) apontando incidências próximas a 70% e 85% para as idades entre 20 e 49 anos. Os extremos de idade, entretanto – até 19 anos e acima de 60 anos – representam menos de 2% do total de doenças do trabalho registradas (PEGATIN, 2007).

Segundo Codo & Almeida (1995), 45% das pessoas acometidas pelos DORT encontram-se na faixa entre 26 a 35 anos, o que sinaliza um efeito social grave: o afastamento precoce do trabalho na fase mais produtiva do ser humano. A pessoa aposentada nesta idade, passa a ser estigmatizada porque além do trabalho remunerado, este trabalhador também não consegue realizar tarefas diárias no ambiente doméstico.

Alguns estudos têm apontado também, uma maior incidência das LER/DORT com relação ao sexo feminino.
Para Couto (2000), na questão do gênero, as mulheres nas mesmas condições de exposições, são duas a três vezes mais predispostas a desencadear LER/DORT, sendo um dos fatores a força física, ou seja, quanto maior a força física menor a predisposição.

Barton (1997) comenta ainda que as mulheres são mais acometidas por LER/DORT em membros superiores, pela relação do tipo de atividade ocupacional desenvolvida estar diretamente ligada às características dos trabalhos desempenhados por mulheres. Além disso, adiciona-se o fato da dupla jornada conferir às mulheres um tempo de repouso inadequado.

Por fim, trabalhadores de diversos ramos de atividades estão expostos a condições de trabalho que propiciam a ocorrência e/ou agravamento das LER/DORT. Maeno et al (2006) realizaram um levantamento, onde destacam alguns estudos na literatura que correlacionam as atividades de trabalho com disfunções em determinadas regiões corporais, com os ramos de atividade (Quadro abaixo).

Relação entre atividades de trabalho e disfunções corporais

Outras atividades foram identificadas em serviços que atendem trabalhadores, entre as quais, as de teleatendimento, caixa, digitação, montagem de pequenas peças e componentes, manufaturados (calçados), costura, embalagem, telefonistas, cozinheiras, trabalhadores de limpeza, cortadores de cana, montador de chicote, montador de tubos de imagem, operação de máquinas, operação de terminais de computador, auxiliar de administração, auxiliar de contabilidade, datilografia, pedreiro, secretário, auxiliar de cozinha, eletricista, escriturário, operador de caixa, recepcionista e faxineiro (NUSAT, 1994; MAENO et al., 2001).

Todas as referências que utilizamos nos artigos vocês poderão encontrar em breve aqui no site, quando publicarmos a dissertação na íntegra.

Por enquanto ficamos por aqui. Abraço à todos e sucesso.

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Artigo escrito por:

-- Thiago Pegatin -- Fisioterapeuta, Mestrando em Engenharia de Produção, Especialista em Gestão Industrial, Especialista em Fisioterapia do Trabalho, Diretor da Top Ergonomia, Professor de Ergonomia e Doenças Ocupacionais.

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