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LER | DORT >> Definições e Fatores de Risco

qui, jul 10, 2008

LER/DORT

Bem vindos caros leitores!

Este novo post, trata da seqüência de artigos relacionados às LER | DORT que estamos tratando em nossa dissertação de mestrado. Este artigo faz parte do tópico sobre contextualização destes distúrbios e assim que defendida a dissertação colocaremos aqui no site para download.

Entende-se por LER/DORT como uma síndrome relacionada ao trabalho, caracterizada pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, em entidades neuro-ortopédicas definidas como tenossinovites, sinovites, compressões de nervos periféricos e síndromes miofasciais, que podem ser identificadas ou não, e freqüentemente são causa de incapacidade laboral temporária ou permanente (INSS, 2003).

O Occupational Safety Health Administration (OSHA, 1999) classifica as LER/DORT como distúrbios dos músculos, nervos, tendões, ligamentos, articulações, cartilagens ou discos intervertebrais, associados à exposição aos fatores de risco na atividade de trabalho.

Embora alguns autores tenham se recusado a admitir a etiologia ocupacional dos DORT, gerando polêmicas e controvérsias na década de 90 (SILVERSTEIN et al., 1996), revisões sobre o tema conduzidas ao longo de quase duas décadas chegam à conclusão sobre a associação entre esses distúrbios e demandas físicas como repetitividade, posturas inadequadas e força (BUCKLE & DEVEREUX, 2002; NRC & IM, 2001; MUGGLETON et al., 1999; HAGBERG & WEGMAN, 1987).

Demandas psicossociais também têm sido mencionadas como fatores de risco para as LER/DORT (BONGERS et al., 2002; HUANG et al., 2002; DEVEREUX et al., 2002; WESTGAARD, 2000).

Um fator de risco pode ser definido operacionalmente como um termo genérico para os fatores do trabalho que possuem associação com os DORT e podem influenciar direta ou indiretamente o surgimento e/ou desenvolvimento destes distúrbios (HAGBERG et al, 1995).

Embora didaticamente divididos em individual-pessoais, físicos, ambientais, organizacionais e psicossociais, estes fatores de risco não atuam de forma independente; o que ocorre nos locais de trabalho é uma interação dos diversos fatores (HAGBERG et al, 1995; INSS, 2003).

Os fatores individuais e pessoais são bastante variados, incluindo treinamentos, habilidades motoras, idade e gênero. Os fatores físicos mais comumente referidos são: o uso de força excessiva, repetição de movimentos e postura inadequada. Os fatores ambientais encontram-se relacionados às temperaturas extremas, aos níveis de ruído, à iluminação inadequada e as vibrações. Os fatores organizacionais dizem respeito sobre como o trabalho é estruturado, supervisionado, mensurado e remunerado. Os fatores psicossociais descrevem os aspectos subjetivos da organização do trabalho e como eles são percebidos pelos trabalhadores e pela hierarquia das empresas (HAGBERG et al, 1995).

A relação entre a causalidade dos DORT é extremamente complexa, visto que geralmente são oriundos do conjunto destes fatores. Embora se reconheça que a etiologia seja multifatorial, ainda não se sabe a importância relativa dos fatores causais, de confusão e os modificadores (KILBOM, 1998). Muitos estudos mostram dados conflitantes, o que torna difícil estabelecer o quanto cada fator de risco contribui para a ocorrência destes problemas (FALLENTIN et al, 2001).

Na caracterização da exposição aos fatores de risco, alguns elementos são importantes (INSS, 2003), dentre outros:

a) a região anatômica exposta aos fatores de risco;
b) a intensidade dos fatores de risco;
c) a organização temporal da atividade (por exemplo: a duração do ciclo de trabalho, a distribuição das pausas ou a estrutura de horários);
d) o tempo de exposição aos fatores de risco.

Ainda em relação a estes fatores, Kuorinka & Forcier (1995) destacam que os grupos de fatores de risco para LER/DORT podem ser relacionados com:

a) o grau de adequação do posto de trabalho à zona de atenção e à visão – A dimensão do posto de trabalho pode forçar os indivíduos a adotarem posturas ou métodos de trabalho que causam ou agravam as lesões osteomusculares;
b) o frio, as vibrações e as pressões locais sobre os tecidos – A pressão mecânica localizada é provocada pelo contato físico de cantos retos ou pontiagudos de um objeto ou ferramentas com tecidos moles do corpo e trajetos nervosos;
c) as posturas inadequadas – Em relação à postura existem três mecanismos que podem causar as LER/DORT:

   Ø os limites da amplitude articular;
   Ø a força da gravidade oferecendo uma carga suplementar sobre as articulações e músculos;
   Ø as lesões mecânicas sobre os diferentes tecidos;

d) a carga osteomuscular. A carga osteomuscular pode ser entendida como a carga mecânica decorrente de uma tensão (por exemplo, a tensão do bíceps); de uma pressão (por exemplo, a pressão sobre o canal do carpo); de uma fricção (por exemplo, a fricção de um tendão sobre a sua bainha); de uma irritação (por exemplo, a irritação de um nervo).

Entre os fatores que influenciam a carga osteomuscular, encontramos: a força, a repetitividade, a duração da carga, o tipo de preensão, a postura do punho e o método de trabalho;

a) A carga estática – A carga estática está presente quando um membro é mantido numa posição que vai contra a gravidade. Nesses casos, a atividade muscular não pode se reverter a zero (esforço estático). Três aspectos servem para caracterizar a presença de posturas estáticas: a fixação postural observada, as tensões ligadas ao trabalho, sua organização e conteúdo;
b) A invariabilidade da tarefa – A invariabilidade da tarefa implica monotonia fisiológica e/ou psicológica;
c) As exigências cognitivas – As exigências cognitivas podem ter um papel no surgimento das LER/DORT, seja causando um aumento de tensão muscular, seja causando uma reação mais generalizada de estresse;
d) Os fatores organizacionais e psicossociais ligados ao trabalho – Os fatores psicossociais do trabalho são as percepções subjetivas que o trabalhador tem dos fatores de organização do trabalho. Como exemplo de fatores psicossociais podemos citar: considerações relativas à carreira, à carga e ritmo de trabalho e ao ambiente social e técnico do trabalho. A “percepção” psicológica que o indivíduo tem das exigências do trabalho é o resultado das características físicas da carga, da personalidade do indivíduo, das experiências anteriores e da situação social do trabalho.

O que se observa no ambiente industrial é que um recurso ainda muito utilizado pelas empresas quando há uma constatação entre a atividade de trabalho e o aparecimento de um DORT é o afastamento do trabalho.

O afastamento do trabalho, quando adotado como medida exclusiva no controle das LER/DORT, não parece contribuir muito na resolução destes problemas (GIL COURY et al, 2001). Além de meramente paliativo, este recurso consome os cofres públicos, pois as empresas acabam gerando uma verdadeira indústria de atestados médicos sustentados à custa da seguridade social.

Neste caso, é importante que avaliações de qualidade possam qualificar e quantificar as condições presentes no ambiente de trabalho como forma de melhoria nestas condições. A avaliação adequada da exposição é importante, para promover melhorias nas condições de saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores, determinar as causas e também avaliar o efeito das medidas preventivas (HAGBERG et al, 2001).

O conhecimento das origens (causas) destes distúrbios pode oferecer a oportunidade de controlar sua ocorrência e evitar o processo de reabilitação, que é bastante oneroso, tanto para o trabalhador quanto para a empresa (MARRAS, 2004).

Assim, a abordagem preventiva procura deslocar seu objeto de maior interesse do individuo em si, para as condições de trabalho a que esses indivíduos estão submetidos, com o objetivo de alterá-las, proporcionando condições mais seguras (GIL COURY, 1993).

Ao final do século XX, o entendimento para classificação das LER/DORT foi alterado na legislação brasileira. A partir de 1993 as LER/DORT foram classificadas como acidente do trabalho do ponto de vista legal e, após 1994, o número destes acidentes aumentou. Nos últimos anos a produção industrial tem aumentado, o número de trabalhadores diminuído e o processo de modernização do sistema produtivo evoluído. Portanto, a pressão imposta aos trabalhadores para o sistema produtivo pode ter contribuído para o aumento de casos de doenças relacionadas ao trabalho (GIL COURY, 1999a).

Este constante aumento de produção proporcionado em grande parte pelas mudanças tecnológicas não chegaram como benefícios aos trabalhadores e alteraram de forma significativa as condições de trabalho. As mudanças geradas pela alteração da organização do trabalho e pela adoção de novas tecnologias baseadas na informatização e automatização do sistema produtivo trouxeram conseqüências para a saúde do trabalhador: o ritmo de trabalho foi aumentado e as tarefas tornaram-se mais repetitivas e monótonas (LÉO, 2000).

Diante do exposto, o fenômeno LER/DORT permanece como um vasto campo de estudo a ser explorado e abre novas perspectivas para pesquisadores e empresas.

Por enquanto ficamos por aqui. Abraço à todos e sucesso.

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Artigo escrito por:

-- Thiago Pegatin -- Fisioterapeuta, Mestrando em Engenharia de Produção, Especialista em Gestão Industrial, Especialista em Fisioterapia do Trabalho, Diretor da Top Ergonomia, Professor de Ergonomia e Doenças Ocupacionais.

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2 Comentarios para este artigo

  1. Elaine Disse:

    Adorei seu artigo sobre o assunto da ergonomia,estou fazendo um trabalho de faculdade e foi de grande ajuda.

  2. Nadja Disse:

    Gostei muito do artigo.
    Sou estudante do MBA Gestão em Ergonomia e estou preparando uma análise bibliográfica sobre o tema LER/DORT. Sem dúvida, assunto relevante que nos leva à pesquisa, embasamento e à prevenção.
    Grata pelo tema e embasamento científico.

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